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A Última Casa acompanha Ann (Greta Lee), Jason (Wagner Moura) e seus dois filhos, uma família que vê sua própria casa se transformar em um lugar de confinamento. O que começa como uma situação estranha rapidamente ganha contornos assustadores quando uma força desconhecida parece impedir qualquer tentativa de sair.
A última casa guarda as respostas
O filme não entrega todas as respostas de imediato. Pelo contrário. Ele prefere colocar o espectador na mesma situação dos personagens, tentando entender o que está acontecendo enquanto pequenas pistas vão surgindo pela casa.
E a própria residência já começa a mostrar que não está exatamente em boas condições. Uma das primeiras informações importantes envolve a chaminé, apresentada como uma estrutura fundamental para a casa. Parece apenas um detalhe, mas o roteiro deixa essa informação guardada para usar mais tarde. É um daqueles casos em que o filme planta uma ideia sem chamar muita atenção para ela.
Boa sensação de isolamento
A sensação de isolamento cresce quando uma vizinha, que costumava correr pela região, sai em busca de ajuda e não retorna. O mundo do lado de fora começa a parecer tão perigoso quanto a própria casa.
Jason também possui uma arma, comprada depois de começar a ter pesadelos e sentir que não estava seguro. No início, o objeto parece estar ali apenas para mostrar o estado emocional do personagem. Conforme a situação piora, fica claro que a arma pode ser uma ferramenta de sobrevivência.
O roteiro trabalha muito bem com esses pequenos elementos. Em determinado momento, Jason ensina os filhos a limpar um peixe usando os peixes do aquário como exemplo. A cena pode parecer estranha quando acontece, mas ganha outro significado posteriormente, quando a família precisa realmente utilizar os peixes como alimento.
É justamente esse tipo de detalhe que faz A Última Casa funcionar tão bem. O filme não joga as coisas na tela simplesmente para esquecê-las depois. Muitas situações apresentadas no começo encontram alguma função conforme a história avança.
A tensão chega a outro nível quando uma pessoa aparece do lado de fora da casa, desesperada, pedindo ajuda e afirmando que todos estão mortos. Antes que a família consiga entender o que está acontecendo, algo a puxa para longe e uma luz intensa surge no ambiente.
A partir desse momento, o filme abre espaço para uma ameaça muito maior.
A filha Ruth já carregava consigo desenhos de criaturas que dizia ter visto, mas ninguém acreditava nela. Quando os acontecimentos começam a confirmar algumas das coisas que a menina vinha dizendo, surge uma das perguntas mais interessantes da história: e se Ruth estivesse tentando alertar a família desde o começo?
O filme brinca bastante com essa dúvida. São criaturas? Extraterrestres? Alguma força desconhecida? A ameaça nunca precisa ser completamente explicada para funcionar.
Um dos momentos mais tensos acontece quando a tampa da chaminé cai. Ruth se oferece para subir usando uma corda e consegue colocar a mão para fora da estrutura. É uma cena que funciona justamente porque o roteiro já havia apresentado a importância da chaminé anteriormente.
A sobrevivência da família também começa a cobrar um preço pesado. O cachorro precisa ser sacrificado para não continuar sofrendo, enquanto Jason passa a construir armadilhas para capturar animais e conseguir comida.
Cinco anos se passam.
Quando a história avança no tempo, o cenário é completamente diferente. A natureza tomou conta de tudo. Árvores, mato e animais dominam o ambiente, enquanto a antiga sociedade parece ter desaparecido. Ursos circulam pela região e a casa, que antes representava proteção, está cada vez mais deteriorada.
É nesse ponto que A Última Casa deixa de ser apenas uma história sobre uma família presa dentro de uma residência. O filme passa a mostrar um mundo que mudou completamente.
A criatura também chama atenção pelo visual. Com tentáculos e uma aparência que lembra figuras associadas ao horror cósmico, ela remete bastante ao imaginário criado por H. P. Lovecraft. Não é difícil olhar para aquela ameaça e pensar em algo próximo de Cthulhu.
Mesmo com tantos mistérios, o grande mérito do filme está na construção da tensão. A história não depende apenas de sustos. O medo vem da falta de informação, da escassez de recursos e da sensação de que qualquer decisão pode colocar a família em perigo.
Greta Lee e Wagner Moura carregam muito bem a trama. Os dois conseguem transmitir o desgaste emocional de personagens que precisam proteger os filhos enquanto tentam entender um mundo que deixou de fazer sentido.
Wagner Moura funciona especialmente bem quando Jason começa a abandonar algumas certezas e assumir uma postura cada vez mais voltada à sobrevivência. Greta Lee acompanha esse processo com uma atuação igualmente forte, mantendo a personagem humana mesmo quando a situação fica completamente absurda.
A Última Casa é um filme que recompensa quem presta atenção. A arma, a chaminé, os peixes, os desenhos de Ruth e outros pequenos elementos apresentados ao longo da história ganham novos significados conforme a situação se deteriora.
No fim, o que parecia ser apenas uma família presa dentro de casa se transforma em uma história de sobrevivência diante de algo muito maior.
É um suspense muito bem construído, com uma atmosfera pesada e uma ameaça que consegue permanecer intrigante justamente por não entregar todas as respostas. Wagner Moura e Greta Lee estão excelentes e seguram muito bem uma trama que depende bastante da tensão e da relação entre os personagens.
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